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ÚLTIMAS FOTOS  NOTÍCIAS |  Denunciar este flog | Recomendar este flog LivrosNotícia postada em 30/03/2008 às 00:06:08-03:•:Aqui, você encontrará sites para download dos livros da série Harry Potter e outros relacionados.:•:
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Encontre aqui tambem os Constos de Beedle o Bardo e a Prequência de JK Rowling
•Harry Potter e a Pedra Filosofal
Nome em inglês: Harry Potter and the Sorcerer's Stone
Data de lançamento: 1997 - Grã-Bretanha, 2000 - Brasil
Editora brasileira: Rocco
Editora oficial: Bloosmbury
Páginas: 264 páginas
Órfão de pai e mãe, Harry Potter vive num armário embaixo da escada na casa dos tios, que o rejeitam. O menino também sofre com a perseguição do primo mimado, Duda. No dia de seu aniversário de 11 anos, ele descobre que é um bruxo e que a estranha cicatriz em sua testa, na forma de um raio, foi provocada por um duelo com Voldemort, o todo-poderoso bruxo das trevas que matou seus pais. Ele ingressa na Escola de Magia de Hogwarts, onde conhece seus dois maiores amigos, Rony e Hermione, seu inimigo Draco Malfoy, aprende a jogar quadribol, descobre tudo sobre o mundo da magia qeu havia lhe sido negado por seus tios trouxas, enfrenta o ódio de um professor que logo vem a descobrir , o odeia por ter odiado seu pai no passado e devido a incrível e identica semelhança fisica dos dois, acaba vendo em Harry o reflexo do pai e enfrenta novamente, seu maior rival, Lord Voldemort. No Brasil, o livro foi lançado em abril de 2000.
•Harry Potter e a Câmara Secreta
Nome em inglês: Harry Potter and the Chamber of Secrets
Data de lançamento: 1998 - Grã-Bretanha, 2000 - Brasil
Editora brasileira: Rocco
Editora oficial: Bloosmbury
Páginas: 287 páginas.
Em seu segundo ano na Escola de Magia de Hogwarts, Harry Potter começa a ser atormentado por vozes estranhas, que parecem sair das paredes. Ele descobre ser ofidioglota (poder de falar com cobras), característica rara entre os bruxos, o que levanta suspeitas dele ter sido o responsável por abrir a Câmara Secreta, que guarda o terrível monstro Basilisco (uma cobra gigantesca). Harry ainda tem aturar o novo e arrogante professor de Defesa Contra as Artes das Trevas, Gilderoy Lockart, tentar fugir de um colega primeiranista deslumbrado por Harry e ignorar a tímida paixão de Gina Weasley (irmã de seu melhor amigo Rony) que, manipulada por Voldemort, é capturada e levada à Câmara - e somente Harry pode salvá-la. Até Hermione, amiga querida de Potter, é atacada pelo monstro e se transforma numa estátua. Só resta ao nosso herói tentar resolver o mistério por conta própria. O título chegou às prateleiras do país em agosto de 2000.
•Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban
Nome em inglês: Harry Potter and the Prisioner of Azkaban.
Data de lançamento: 1999 - Grã-Bretanha, 2000 - Brasil
Editora brasileira: Rocco
Editora oficial: Bloosmbury
Páginas: 348 páginas
Agora com 13 anos, Harry Potter torna-se mais rebelde, desafiando os tios e os professores. Nas aulas com o professor Lupin, ele aprende como enfrentar os terríveis dementadores, que se alimentam da alma das pessoas, e são os guardiões da prisão de Azkaban, de onde fugiu Sirius Black. Há indícios de que o prisioneiro possa estar na escola e, o que é pior, de que haja um traidor em Hogwarts. Harry finalmente descobre um dos motivos que levaram seus pais à morte e tem de lidar com o sofrimento causado por isso e ainda descobre que pode estar se apaixonando por uma bela garota chamada Cho Chang, apanhadora da Corvinal. Inúmeras surpresas mostram que é preciso cuidado para reconhecer a distância entre a versão de alguns fatos e a verdade. A autora ainda presenteia o leitor com emocionantes partidas de quadribol, novas e assustadoras criaturas mágicas e um final surpreendente. A Rocco lançou o terceiro volume da série em dezembro de 2000.
•Harry Potter e o Cálice de Fogo
Nome em inglês: Harry Potter and the Goblet of Fire
Data de lançamento: 2000 - Grã-Bretanha, 2001 - Brasil
Editora brasileira: Rocco
Editora oficial: Bloosmbury
Páginas: 583 páginas
No quarto ano em Hogwarts, Harry Potter, embora ainda sem idade suficiente, é misteriosamente selecionado pelo Cálice de Fogo para competir no arriscado Torneio Tribruxo. Estranhos sinais luminosos no céu mostram que Voldemort pode estar anunciando sua volta. Além disso, a marca na testa de Harry não pára de doer, o que sempre significa que algo muito tenso está para acontecer. E como se não bastasse, ele tem de suportar Rony que se afasta dele, os sentimentos por Cho Chang, que se tornam cada vez mais intensos e sem esperanças, ja que a garota é namorada de Cedrico Diggory, um garoto que além de muito bonito, é concorrente de Harry no torneio. Harry precisa enfrentar testes terríveis, dentro e fora da gincana. Será que estão preparados? Com um desfecho de tirar o fôlego, Harry Potter e o Cálice de Fogo chegou ao Brasil em junho de 2001.
•Harry Potter e a Ordem da Fênix
Nome em inglês: Harry Potter and the Order of the Phoenix
Data de lançamento: 2003 - Grã-Bretanha, 2003 - Brasil
Editora brasileira: Rocco
Editora oficial: Bloosmbury
Páginas: 704 páginas
O Ministério da Magia começa a intervir em Hogwarts, não acreditando no retorno de Voldemort propalado por Harry Potter e Alvo Dumbledore, que são chamados de mentirosos pelo ministério e Harry até de doido em busca de atenção. Indicada pelo Ministério como professora de Defesa Contra as Arte das Trevas, Dolores Umbrigde proíbe a matéria para alunos mais novos, o que leva Harry a fundar a Armada Dumbledore, para ensinar seus colegas a se defenderem do lorde e seus Comensais da Morte. Harry ainda tem que lidar om seus sentimentos por Cho Chang que se mostra confusa entre gostar de Harry e a presente lembrança de Cedrico Diggory, deixando-o confuso, e tem também de suportar os colegas que não acreditam nele e Dolores Umbridge que para tentar silencia-lo, aplica-lhe dolorosos castigos. Na batalha bem versus mal, Harry vai enfrentar as investidas de Voldemort sem a proteção de Dumbledore, já que o diretor de Hogwarts é afastado da escola. E vai ser sem seu protetor que o jovem herói enfrentará descobertas sobre a personalidade controversa de seu pai, Tiago Potter, e a perda de alguém muito próximo. Não foi por acaso que J. K. Rowling chegou às lágrimas escrevendo o quinto volume da série, lançado no Brasil em novembro de 2003.
•Harry Potter e o Enigma do Príncipe
Nome em inglês: Harry Potter and the Half-Blood Prince
Data de lançamento: 2005 - Grã-Bretanha // Brasil - 2005
Editora brasileira: Rocco
Editora oficial: Bloosmbury
Páginas: 510 páginas
Dumbledore passa a dar aulas particulares a Harry Potter e lhe mostra na penseira – bacia de pedra para estocar lembranças – fatos que confirmam a busca de Voldemort pela imortalidade através das Horcruxes, objetos criados para guardar parte da alma. Neste volume, Harry se ve difrente a uma nova e grande paixão por alguém que ele nem imaginava que pudesse gostar um dia, e ainda tem de viver com a suspeita de que seu inimigo de escola Draco Malfoy anda aprontando alguma, ja que está agindo de forma bastante estranha. Com Hogwarts invadida pelos Comensais da morte, Potter presencia o assassinato de Dumbledore pelo ambíguo professor Severo Snape, o “Príncipe Mestiço”, cumprindo seu Voto Perpétuo para não morrer. Junto de Rony e Hermione, Harry se prepara para encontrar e destruir todas as Horcruxes do lorde das trevas, tornando-o mortal (faots ocorridos no último livro). Harry Potter e o enigma do Príncipe chegou às livrarias do país em novembro de 2005.
•Harry Potter e as Relíquias da Morte
Nome em inglês: Harry Potter and the Deathly Hallows
Data de lançamento: 2007 - Grã-Bretanha // Brasil - 2007
Editora brasileira: Rocco
Editora oficial: Bloosmbury
Páginas: 592 páginas
Voldemort está cada vez mais forte e Harry Potter precisa encontrar e aniquilar as Horcruxes para enfraquecer o lorde e poder enfrentá-lo. Nessa busca desenfreada, contando apenas com os leais amigos Rony e Hermione, Harry descobre as “Relíquias da Morte”, que serão úteis na batalha do bem contra o mal. Ação eletrizante conduzida com maestria por J. K. Rowling, concluindo os passos de herói de Harry Potter na maior saga bruxa de todos os tempos.
•Quadribol Através dos Séculos
Nome em inglês: Quidditch Trough the Ages
Data de lançamento: 2001
Editora brasileira: Rocco
Editora oficial: Bloosmbury
Páginas: 64 páginas
O livro criado pela autora J.K. Rowling para ajudar a Instituição Comic Relief, assim com Animais Fantásticos e Onde Habitam, que combate a miséria e a fome no Reino Unido e nos países da África. A autora adota o pseudônimo de Kennilworthy Whisp, autor do livro dentro da série Harry Potter.
O livro começa com um prefácio feito pelo diretor Alvo Dumbledore. O livro mostra além de partidas fantásticas que ficaram na história, a história do início do jogo, a evolução das vassouras usadas pelos bruxos para que o jogo ocorra, as marcas mais conhecidas, além de algumas faltas do jogo, os jogadores, a análise das bolas, do campo e os times britânicos de Quadribol.
Sinopse ::
J. K. Rowling, atendendo aos apelos dos leitores da série Harry Potter, escreveu, sob o pseudônimo de Kennilworthy Whisp, o livro Quadribol através dos séculos, um histórico completo sobre o jogo quadribol, desde a origem até o presente século, as modificações ocorridas no esporte, descrição do times e sua difusão pelo mundo.
Quem leu as aventuras do aprendiz de feiticeiro mais famoso do mundo já deve estar familiarizado com o quadribol – esporte típico dos bruxos e tão popular para eles quanto o futebol para os não-bruxos. No quadribol, os jogadores ficam suspensos em suas vassouras durante a partida e cada time tem sete jogadores: um goleiro, dois batedores, três artilheiros e um apanhador.
Como o nome do quadribol sugere, quatro bolas são usadas por partida: um pomo de ouro, que é do tamanho de uma noz, tem asas prateadas e voa em altíssima velocidade pelo campo e tem que ser pega pelo apanhador (tarefa mais difícil do jogo e, ao mesmo tempo, fundamental para a vitória do time); dois balaços pretos, parecidos com bolas de beisebol, que devem ser defendidos pelos rebatedores; e a goles, uma bola vermelha, de trinta centímetros de diâmetro, que tem de ser rebatida pelos artilheiros para marcar o gol.
O livro revela ainda que os esportes com vassouras surgiram assim que as mesmas se aperfeiçoaram para permitir aos pilotos fazerem curvas e variarem de altitude e velocidade. Foi justamente o quadribol que se tornou mais conhecido. É do século XI o primeiro registro sobre o esporte: uma bruxa que vivia às margens do brejo Queerditch, relatou em seu diário, em poder do Museu do Quadribol em Londres, que um grupo de bruxos montados em suas vassouras jogava bola, tentando acertar em troncos situados em cada lado do lugar, e pedras.
Do século XI aos dias de hoje, o quadribol evoluiu até chegar ao que conhecemos através dos livros da série Harry Potter. O jovem Harry, devido à sua excepcional habilidade em voar na vassoura, é o apanhador de um dos times da Escola de Magia e Bruxaria de Howgarts.
No prefácio de Quadribol através dos séculos, a escritora escocesa J. K. Rowling, através do diretor da Escola de Magia e Bruxaria, professor Alvo Dumbledore, revela que resolveu liberar os originais do livro para os trouxas, ou seja, os não-bruxos, por uma boa causa: os direitos de publicação desta obra serão revertidos para a Comic Relief, uma organização humanitária criada por comediantes britânicos para ajudar crianças carentes. Eles usam o riso para combater a pobreza, a injustiça e a calamidade.
Fonte: Wikipedia.
•Animais Fantásticos e Onde Habitam
Nome em inglês: Fantastic Beasts and Where to Find Them
Data de lançamento: 2000
Editora brasileira: Rocco
Editora oficial: Bloosmbury
Páginas: 64 páginas
O livro, inspirado em um dos livros usados por Harry Potter em Hogwarts, foi escrito por J.K. Rowling com o pseudônimo de Newt Scamander (avô do marido de Luna Lovegood). O livro foi criado especialmente para ajudar a Instituição Comic Relief, assim como Quadribol Através dos Séculos, que combate a miséria e a fome no Reino Unido e nos países da África.
O livro começa com um pequeno prefácio do diretor da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, Alvo Dumbledore. O livro identifica e analisa as criaturas mágicas, mostrando, na maioria das vezes, sua origem, habitat, sua aparência e reprodução, além de ilustrações e anotações feitas pelo próprio Harry e seus amigos. Animais como testrálios, hipogrifos, tarântulas, dragões, entre outros, se encontram no livro. O livro além das descrições e análises do animal classifica os animais de tediosos até extremamente perigosos. Os nomes dos animais na versão brasileira do livro são usados como os do original, junto com a tradução em parênteses de Lia Wyler.
Sinopse ::
A acromântula é uma aranha monstruosa de oito olhos e dotada de fala humana, foi desenvolvida pelos bruxos para guardar suas casas ou tesouros... O basilisco, também chamado de rei das cobras, é verde-vivo e pode alcançar até quinze metros de comprimento. Sua criação foi declarada ilegal, desde a época medieval. O dragão é o animal mais mágico do mundo; seu couro, sangue, coração, fígado e chifre têm grandes propriedades ilusionistas. Estas breves descrições são apenas uma amostra do que o leitor pode encontrar em Animais fantásticos & onde habitam, de J. K. Rowling, escrito sob o pseudônimo de Newt Scamander, e com prefácio do sábio Alvo Dumbledore. Ao livro, adotado pelos professores da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts e considerado uma obra-prima, atribui-se a responsabilidade pelo bons resultados dos alunos nos exames de Trato das Criaturas Mágicas. E a obra não é recomendada só para estudantes. "Nenhuma casa bruxa está completa se não possuir um exemplar." Trata-se de um guia com mais de 80 espécies de animais e seus respectivos hábitos, costumes e origem.
Fonte: Wikipedia.
Contos de Beedle, o Bardo
Contos de Beedle o Bardo é um livro escrito por JK Rowling, apos terminar o último livro da série, Harry Potter e as Relíqueas da Morte. Um dos contos, o Conto des Tres Irmãos, se encontra em Relíquas da Morte mas, o livro de contos não foi a venda, ja que a autora escreveu apenas 7 exemplares para 7 pessoas especiais e o dinheiro arrecadado por ele foi todo para a instituição da própria autora, a Children's Voice.
1. “O Mago e o Caldeirão Saltitante”
Como na série Harry Potter, adornando o topo da página inicial do primeiro conto, “O Mago e o Caldeirão Saltitante”, temos um desenho – no caso, o de um caldeirão de um surpreendentemente bem desenhado pé (com cinco dedos, caso você esteja se perguntando, e nós sabemos que alguns de vocês de fato estão). Esse conto começa agradavelmente, com um mago velinho e simpático, com quem nos encontramos brevemente, mas quem nos lembra muito o nosso querido Dumbledore, sendo assim devemos parar e tomar um pouco de ar.
Este “bem amado” usava sua mágica basicamente em benefício de seus vizinhos, criando poções e antídotos para eles no que ele chamava de “caldeirão de cozer da sorte.” Logo após encontrarmos este gentil senhor, ele morre (depois ter vivido até uma “boa idade”) e deixa tudo para seu único filho. Infelizmente, o filho não é como seu pai (e sim como os Malfoy). Após a morte dele, o filho descobre o caldeirão, e (meio que misteriosamente) surge de dentro dele um único chinelo e um bilhete que dizia: “Na esperança de que você, meu filho, nunca precise disso”. Como na maioria dos contos de fada, esse é o momento em que tudo começa a dar errado…
Ressentido por não ter nada a não ser um caldeirão em seu nome e nem um pouco interessado em pessoas que não podiam fazer magia, ele virou suas costas à vila, fechando sua porta para os vizinhos. Primeiro veio uma senhora a qual a neta tinha sido empestada por verrugas. Quando o filho fechou a porta no rosto dela, ele ouviu imediatamente um forte tinido vindo da cozinha. O velho caldeirão do pai havia ganhado um pé e uma série de verrugas. Engraçado, mas ainda nojento. Clássico de Rowling. Nenhum de seus feitiços funcionou, e ele não pode escapar da perseguição, o pote verruguento o seguia – até mesmo até sua cama. No outro dia, o filho abriu a porta para um senhor que havia perdido seu burrinho. Sem a sua ajuda ele não poderia levar as mercadorias para a cidade, e sua família passaria fome. O filho (quem com certeza nunca leu um conto de fadas) bateu a porta na cara do senhor. E com toda a certeza, lá vem o caldeirão de um pé só, coberto de verrugas, e agora emitido sons de relinchos de burro e de gemidos de fome. [Alerta de spoilers!] E como todo bom conto de fadas, o filho recebeu mais visitantes, e levou algumas lágrimas, vomito e choramingo de cachorro até que ele se curvasse a sua responsabilidade, e o verdadeiro legado de seu pai. Renunciando ao seu modo egoísta de ser, ele chamou todos da vila, para desta vez, ajudá-los. Um por um, ele curou as doenças, e assim sendo, esvaziou o caldeirão. E finalmente, surgiu o misterioso chinelo – o que servia perfeitamente no agora quieto caldeirão – e juntos eles andaram (e pularam de um pé só) pelo por do sol.
Rowling sempre escreveu suas histórias de forma bem humorada e inteligente, e o conto “O Mago e o Caldeirão Saltitante” não é uma exceção (a imagem de um caldeirão de um pé só empestado com todas as doenças “verruguentas” da aldeia, pulando de um pé só atrás do jovem bruxo egoísta, é um bom exemplo). Mas a real magia desse livro, e desse conto em particular, repousa não somente na forma como as frases estão dispostas, mas como ela sublinha os “tinidos, tinidos, e tinidos” para dar ênfase, e como sua escrita se torna de certa forma caótica à medida que o ritmo da história aumenta (como se ela corresse junto ao leitor). Esses toques tornaram essa história inteiramente de Rowling, e esse volume de histórias particularmente especial.
¹As fábulas de Esopo são uma coleção de fábulas creditadas a Esopo (620—560 a.C.), um escravo e contador de histórias que viveu na Grécia Antiga. As fábulas de Esopo tornaram-se uma expressão para designar coleções de fábulas brandas, ou seja, história leves e de cunho moral.
2 “O Poço da Sorte”
Postado no topo do que pode ser um dos nossos contos de fadas favoritos, está à imagem de um brilhante, poço fluindo. Agora que estamos 30 páginas adentro do livro, ficou claro que Rowling gosta (e é boa nisso) de desenhar estrelas e faíscas. O começo e o fim de quase todos os contos aparecem salpicados com pó de fadas (a lá Peter Pan — fãs sabem que as fadas de Rowling são menos prováveis de deixar um bonito rastro). Essa primeira página da história também contém uma pequena rosa florindo embaixo do texto. É bastante encantadora, e como qualquer um que já tentou desenhar uma rosa sabe, não é fácil de fazer - um fato que faz menos provável que Rowling a fez para cobrir um erro (o que alguns de nós faríamos). É um magnífico jeito de começar, e ele dá ao “O Poço da Sorte” muito para cumprir. Talvez seja por isso que a história começa tão grandemente e com uma colocação de conto de fadas tão perfeitamente viçosa e misteriosa: um encantado e cercado jardim que é protegido por “magia poderosa”. Uma vez por ano, um “azarado” tem a oportunidade de achar seu caminho para o Poço, para se banhar na água, e ganhar “sorte para sempre”. Ahhhh, é o sonho de consumo dos fãs de Harry Potter. Na verdade, este conto destaca-se como um favorito em parte porque ele segue o arco de competição com que os fãs se apaixonaram por ela em seus romances — a espécie que ainda almejamos.
Sabendo que essa talvez seja a única chance de verdadeiramente mudar suas vidas, pessoas (com poderes mágicos e sem) viajam das mais distantes terras do reino para tentar ganhar uma entrada para o jardim. É aqui que três bruxas se encontram e compartilham os seus contos da aflição. A primeira é Asha, doente “de uma enfermidade que nenhum Curandeiro pode curar”, que espera que o Poço possa regenerar sua saúde. A segunda é Altheda, que foi roubada e humilhada por um mago. Ela espera que o Poço alivie as suas sensações do desamparo e a sua pobreza. A terceira bruxa, Amata, foi deixada por seu amado, e espera que o Poço ajude a curar a sua “dor e o desejo”. Em apenas algumas páginas, Rowling não apenas criou um terrível drama de conto de fadas, mas um conflito interessante — jovens e velhos leitores podem relacionar-se a pelo menos uma das aflições de Asha, Altheda, e Amata (e podemos falar do quão incríveis esses nomes são?), então como você pode escolher qual delas deve vencer? As bruxas (muito parecidas com as personagens da nossa série favorita) decidem que três cabeças são melhores do que uma, e elas juntam os seus esforços para alcançarem o Poço em conjunto. A primeira luz, uma fenda na parede aparece e “Rastejadores” as alcançam e se põem em volta de Asha, a primeira bruxa. Ela agarra Althaeda, que pega Amata. Mas Amata é entrelaçada na armadura de um cavaleiro, e como as videiras puxam Asha para dentro, as três bruxas, junto com o cavaleiro, são puxadas pela parede e para dentro do jardim.
A partir de que só uma delas poderá se banhar no Poço, as duas primeiras bruxas estão bravas que Amata inadvertidamente convidou outro competidor. Porque ele não tem poderes mágicos, reconhece as mulheres como bruxas, e é bem ajustado ao seu nome, “Senhor Sem Sorte”, o cavaleiro anuncia a sua intenção de abandonar a competição. Amata prontamente ralha com ele por desistir e pede para juntar-se ao seu grupo. É tocante ver como Rowling continua abraçando os temas de amizade e camaradagem tão prevalentes em sua série, sem mencionar sua habilidade em criar personagens femininas, fortes e inteligentes. Nós gastamos sete livros vendo Harry que não havia problemas em precisar da ajuda e do suporte dos amigos, e a mesma noção de compartilhar a responsabilidade e a carga é forte neste conto.
Em sua jornada para o Poço, o grupo variado enfrenta três desafios. Nós estamos num território de contos familiares aqui, mas é a forte e simples imagem (”um verme branco monstruoso, inchado e cego”), e o modo que os personagens colaboram para triunfar sobre a adversidade, que faz esta história uma leitura rica, e puramente Rowling. Primeiro, eles enfrentam o verme que exige ‘a prova da sua dor’. Após várias tentativas fracassadas de atacá-lo com mágica e outras coisas, as lágrimas de frustração de Asha saciam o verme, que os deixam passar. Depois, eles enfrentam uma encosta íngreme e são pedidos para pagar “o fruto dos seus trabalhos”. Eles tentam e tentam fazê-lo morro acima, mas passam horas escalando em vão. Finalmente, o esforço conquistado por Altheda quando ela torce por seus amigos (especificamente o suor da sua testa) passa-os para além do desafio. Finalmente, eles enfrentam uma correnteza em seu caminho e são pedidos para pagar “o tesouro do seu passado”. As tentativas de flutuar ou pular através falham, até que Amata pensa em usar a sua varinha para retirar as memórias do amante que a abandonou, e jogá-las na água (olá, Penseira!). Pedras para passarem aparecem na água, e os quatro podem atravessar para o Poço, onde eles devem decidir quem toma o banho.
Asha tem um colapso de exaustão e está próxima da morte. Ela tem tanta dor que não consegue ir até o Poço, e ela implora a seus três amigos para não moverem-na. Althaeda rapidamente mistura uma poção para tentar revivê-la, e a mistura de fato cura a sua enfermidade, portanto ela não mais precisa das águas do Poço. (Alguns de vocês vêem onde isto está indo, mas fiquem ligados — Rowling tem mais surpresas guardadas). Curando Asha, Althaeda percebe que ela tem o poder de curar os outros e um modo de ganhar dinheiro. Ela não mais precisa das águas do Poço para curar sua “impotência e pobreza”. A terceira bruxa, Amata, percebe que uma vez que ela tirou o seu desgosto pelo seu amante, ela foi capaz de vê-lo pelo o que ele realmente foi (”cruel e infiel”), e ela não precisa mais do Poço. Ela se vira para o Sr. Sem Sorte e oferece a ele sua vez no Poço como uma recompensa por sua bravura. O cavaleiro, assombrado com sua sorte, banha-se no Poço e arremessa-se “na sua armadura enferrujada” (isso é o genial de Rowling — a adição de uma palavra nos dá a hilária imagem do cavaleiro banhando-se com a armadura completa no Poço) aos pés de Amata e implora por sua “mão e seu coração”. Cada bruxa realiza os seus sonhos de uma cura, um malfadado cavaleiro ganha conhecimento de sua coragem, e Amata, a bruxa que teve fé nele, percebe que ela encontrou “um homem digno dela”. Um grande “feliz para sempre” para os nossos quatro alegres, que partem de “braços dados” (é particularmente legal como é escrito a mão, com os hífens parecendo braços dados). Mas a história não seria da Rowling se não houvesse um chute no fim: aprendemos que os quatro amigos vivem muito tempo, nunca percebendo que as águas do Poço “não contém nenhum encantamento”. Melhor. Fim. Existente.
Como em seus romances, Rowling dá ênfase que o poder verdadeiro está dentro de nós, não meramente em uma varinha ou em uma mente, mas no coração. Fé, confiança, e amor dão aos seus personagens a força para encontrar os desafios antes deles. Ela não pronuncia aos seus leitores, mas a mensagem está definitivamente ali: se você se permite amar e confiar nos outros, você pode aumentar o poder que já tem. Que linda mensagem para as crianças (e adultos) aprenderem, e oh, que pacote encantador e memorável.
Significado dos nomes deste conto:
Asha, do hindi “esperança”.
Altheda, do inglês “Curandeira”.
Amata, do latim “amada”.
3. “O Coração Peludo do Mago”
Fiquem atentos queridos leitores: Rowling sintoniza os Irmãos Grimm para seu terceiro e mais sombrio conto. Em “O Coração Peludo do Mago” há pouco riso e nenhuma busca, apenas uma jornada dentro das sombrias profundezas da alma de um mago. Não há nenhuma evidência de restos de fadas nessa página horrível, em vez disso, nós vemos o desenho de um coração coberto por áspero pêlo e gotas de sangue (de novo, realmente não é fácil desenhar um coração de verdade, com válvulas e tudo o mais, mas Rowling consegue exatamente – pelo rude e tudo mais). Abaixo do texto há uma velha chave com três fendas no topo, deitada sob uma poça de sangue, deixando claro que estamos em frente a um conto diferente dos outros. Não diga que não avisamos…
No começo encontramos um mago atraente, habilidoso e rico que está envergonhado pela tolice de seus amigos apaixonados (Rowling usa aqui a palavra “gambolling” - brincando, fazendo travessura – um exemplo perfeito de como ela nunca diminui seus leitores). Tão certo ele está sobre seu desejo em revelar tal “fraqueza” que o jovem mago usa a “Arte das Trevas” para evitar que ele mesmo se apaixone. Os fãs deveriam reconhecer o começo de um conto de aviso aqui – Rowling explorou muitas lições na precipitação da juventude e nos riscos de tal poder nas mãos de tão jovens durante sua série.
Sem saber que o mago chegou a tais extremos para se proteger, sua família ri de suas tentativas em evitar o amor, acreditando que a garota certa irá mudar seus pensamentos. Mas o mago fica orgulhoso, convencido de sua sabedoria e impressionado com o seu poder em alcançar total indiferença. Mesmo conforme o tempo passa e o mago assiste seus amigos se casarem e terem suas próprias famílias, ele permanece satisfeito com si e com sua decisão, considerando-se sortudo por estar livre das aflições que ele acredita encolher e esvaziar o coração dos outros. Quando os pais do mago morrem, ele não fica em luto, mas ao contrário se sente “abençoado” pelas mortes. Nesse ponto do texto, a letra de Rowling muda um pouco e a tinta na página parece um pouco mais escura. Talvez ela estivesse pressionando mais forte – estaria ela tão assustada e frustrada com seu jovem mago quanto nós estamos? Quase todas as sentenças na página da esquerda praticamente vão até a borda do livro, conforme lemos sobre como o mago se faz confortável na casa de seus pais mortos, transferindo seu “maior tesouro” para a masmorra deles. Na página em frente, quando descobrimos que o mago acredita ser invejado por sua “esplêndida” e perfeita solidão, nós vemos o primeiro gaguejo na escrita de Rowling. É como se ela não pudesse tolerar escrever a palavra “esplêndido” já que claramente não é verdade. O mago está desiludido, ficando mais irritado quando ele ouve dois servos fofocando – um tendo pena dele, o outro rindo por ele não ter uma esposa. Ele decide de uma vez por todas “arrumar uma esposa”, presumidamente a mulher mais bonita, rica e talentosa, para fazê-lo “a inveja de todos”.
Como a sorte o teria, no dia seguinte o mago encontra uma bruxa bela, hábil e rica. Vendo-a como o seu “prêmio”, o mago persegue-a, convencendo aqueles que o conhecem que ele é um homem mudado. Mas a jovem bruxa - que é tanto “fascinada e repelida” por ele - ainda sente a sua distância, mesmo que ela aceite assistir a uma festa no seu castelo. Na festa, entre as riquezas da sua mesa e o jogo de menestréis, o mago corteja a bruxa. Finalmente, ela o confronta, sugerindo que ela acreditaria em suas palavras carinhosas somente se ela achasse que ele “tinha um coração”.
Sorrindo (e ainda orgulhoso), o mago guia a jovem donzela ao calabouço, onde ele revela um mágico “porta-jóias cristalino”, onde está o seu próprio “coração pulsante”. Nós avisamos que isto ia ser um conto obscuro, certo?
A bruxa fica horrorizada com a visão do coração, que se tornou encolhido e peludo fora do corpo, e ela pede que o mago “o reponha”. Como ele sabia que isto era preciso para ela, o mago “abre uma fatia” no seu peito com sua varinha e coloca “o coração peludo” dentro dele. Emocionada que o mago agora poderia sentir amor, a jovem bruxa o abraça (surpreendentemente, já que estamos praticamente gritando “Saia de perto dele!” agora), o terrível coração é “furado” pela beleza da sua pele e o cheiro do seu cabelo. “Crescido estranhamente” por ter sido desconectado de seu corpo por tanto tempo, o agora “cego” e “perverso” coração toma uma ação selvagem. Poderíamos terminar aqui, e permitir que você somente se perguntasse sobre os fatos da jovem bruxa e o mago do coração peludo, mas Rowling continua a história, como os convidados da festa se perguntam sobre seus anfitriões. Horas depois, eles procuram pelo castelo e os encontram no calabouço. No chão está a donzela morta com seu peito aberto. Agachado junto dela está o “mago louco,” acariciando e lambendo o seu “coração escarlate brilhante” e planejando trocá-lo pelo o seu. Mas seu coração é forte, e se recusa a deixar o seu corpo. O mago, jurando nunca ser “dominado” pelo seu coração, agarra um punhal e o corta do seu peito, deixando-o brevemente vitorioso, um coração em cada “mão sangrenta” antes que ele tombe sobre a donzela e morra. O último parágrafo que descreve a morte do mago é o primeiro que parece desigual - a caligrafia inclina para a direita somente o suficiente para ser perceptível, fazendo o final ficar ainda mais abrupto e inquietante.
Rowling, como a maioria dos grandes escritores de contos de fadas, não tem pena do que é mau. Agindo com orgulho e egoísmo desde o começo da história, isolando-se e endurecendo-se contra todo sentimento, o mago abriu-se a loucura, posteriormente tomando uma vida inocente, e destruindo-se no processo (parece com algum vilão que você já conheceu?). Assim como os outros contos que lemos, o segredo fica no imaginário, tanto verdadeira como imaginada (em particular uma vez que você vê os desenhos da primeira página). A visão perturbadora e indelével do mago louco lambendo os corações rivais mostra o mais obscuro dos Irmãos Grimm. Dando-se que esta história (e todo o texto, afinal) é para ser um livro de fábulas para jovens bruxas e bruxos, é ajustado que Rowling faria um conto sobre o abuso do uso das Artes das Trevas o mais horrível e menos remissório de todos eles. As Artes das Trevas, como os fãs bem sabem, não são para serem brincadas - nunca.
4. “Babbitty, a Coelha, e o Toco que Cacarejava”
Um grande toco de madeira (com vinte anéis de crescimento – nós contamos) ocupa o topo do quarto e mais longo conto de Rowling. Cinco raízes em forma semelhante a tentáculos se espalham a partir da base, com grama e ervas saindo por debaixo delas. No centro da base do toco há uma escura fenda, com dois círculos brancos que parecem pequenos olhos espreitando o leitor. Abaixo do texto há uma pequena e estreita pegada da pata de um animal (com quatro dedos). Não tão terrível quanto o sangrento e peludo coração da última história (e dessa vez nós de fato vemos rastros de fadas na página), mas nós não gostamos da aparência desse toco completamente.
“Babbity, a Coelha, e o Toco que Cacarejava” começa (como geralmente acontece com bons contos de fadas) há muito tempo atrás em uma terra distante. Um ambicioso e “tolo rei” decide que quer manter toda a mágica para si mesmo. Mas ele tem dois problemas: primeiro, ele precisa eliminar todos os bruxos e bruxas existentes; segundo, ele precisa na verdade aprender mágica. Ao mesmo tempo em que ele forma uma “Brigada de Caçadores de Bruxas”¹ armada com ferozes cães negros, ele também anuncia sua necessidade por um “Instrutor de Magia” (não muito inteligente, nosso rei). Experientes bruxos e bruxas se escondem em vez de atender a sua chamada, mas um “esperto charlatão”, sem nenhuma habilidade mágica, blefa e consegue seu papel com uns poucos e simples truques.
Uma vez instalado como bruxo chefe e instrutor particular do Rei, o charlatão demanda ouro para suprimentos mágicos, rubis para criar feitiços e copos de prata para poções. O charlatão guarda esses itens em sua casa antes de retornar ao palácio, mas ele não percebe que a velha “lavadeira” do rei, Babbitty, o vê. Ela o observa tirar um galho de uma árvore que ele então apresenta ao rei como sendo uma varinha. Esperto como ele é, o charlatão diz ao Rei que essa varinha não funcionará até que “Sua Majestade a mereça”.
Todos os dias o Rei e o charlatão praticam sua “mágica” (Rowling brilha aqui, criando um retrato do ridículo Rei balançando sua varinha e “atirando sem sentido para o céu”), mas em uma manhã eles ouvem uma risada e vêem Babbitty assistindo de sua casinha, rindo tanto que mal pode se manter em pé. O humilhado Rei está furioso e impaciente, e ordena que eles dêem uma demonstração real de mágica em frente ao povo no dia seguinte. O desesperado charlatão diz que é impossível já que ele precisa partir do Reino em uma longa jornada, mas o agora duvidoso Rei ameaça mandar a Brigada atrás dele. Estando agora furioso, o Rei também ordena que se “alguém rir de mim”, o charlatão será decapitado. E então, nosso tolo e ambicioso Rei sem mágica revela-se também ser orgulhoso e piedosamente inseguro – mesmo nesses curtos, simples contos, Rowling é capaz de criar complexos e interessantes personagens.
Tentando “descarregar” sua frustração e raiva, o esperto charlatão vai direto à casa de Babbitty. Espreitando-se pela janela, ele vê uma “pequena e velha mulher” sentada em sua mesa limpando sua varinha, conforme os lençóis “se limpam” em um balde. Vendo que ela é uma verdadeira bruxa, e ambos a fonte e a solução para seus problemas, ele pede por ajuda, ou ele a denunciará para a Brigada. É difícil descrever completamente esse poderoso ponto de virada da história (e qualquer um desses contos na verdade). Tente lembrar da riqueza e da cor dos livros de Rowling e imagine como ela poderia empacotar esses curtos contos repletos de vivas imagens e sutis significados de caráter.
Tranqüila com as ordens dele (ela é uma bruxa, no final das contas), Babbitty sorri e concorda em fazer “o que seu poder permitir” para ajudar (há um buraco aí, se nós já ouvimos algum). O charlatão diz a ela que se esconda em um arbusto e conjure todos os feitiços para o Rei. Babbitty concorda, mas questiona o que acontecerá se o Rei tentar fazer um feitiço impossível. O charlatão, sempre convencido de sua esperteza e da burrice dos outros, ri das preocupações dela, afirmando que a magia de Babbitty é certamente mais poderosa do que qualquer coisa que “a imaginação daquele tolo” possa sonhar.
Na manhã seguinte, os membros da corte se reúnem para testemunhar a magia do Rei. Em um palco, o Rei e o charlatão realizam seu primeiro ato mágico – fazer o chapéu de uma mulher desaparecer. A multidão está maravilhada e impressionada, nunca adivinhando que é Babbitty, escondida em um arbusto, que realiza o feitiço. Para o próximo feito, o Rei aponta seu “galho” (toda referência a isso nos maravilha) para um cavalo, erguendo-o alto no ar. Procurando ao redor uma idéia ainda melhor para o terceiro feitiço, o Rei é interrompido pelo Capitão da Brigada, que segura o corpo de um dos cães de caça do rei (morto por um cogumelo envenenado). Ele implora que o Rei traga o cão “de volta à vida”, mas quando o Rei aponta sua varinha ao cão, nada acontece. Babbitty sorri em seu esconderijo, nem mesmo tentando realizar o feitiço, pois ela sabe que “mágica não pode levantar os vivos” (pelo menos não nessa história). A multidão começa a rir, suspeitando que os primeiros dois feitiços tivessem sido apenas truques. O Rei está furioso, e quando ele ordena saber por que o feitiço falhou, o esperto e enganador charlatão aponta para o esconderijo de Babbitty e grita que aquela “bruxa má” está bloqueando os feitiços. Babbitty corre do arbusto, e quando os Caçadores de Bruxas mandam os cães de caça atrás dela, ela desaparece, deixando os cães “latindo e lutando” na base de uma velha árvore. Desesperado agora, o charlatão grita que a bruxa se transformou em uma “maça ácida” (o que mesmo nesse tenso e dramático ponto gera um riso). Temendo que Babbitty se transformasse de volta em uma mulher e o expusesse, o charlatão ordena que a árvore seja cortada – porque é assim que se “tratam bruxas más”. É uma cena bem poderosa, não somente pelo drama “corte sua cabeça!”, mas porque a habilidade do charlatão em causar um tumulto na multidão é evocativa de todos os tribunais de bruxas reais. Conforme o drama é construído, a letra de Rowling parece levemente menos polida – os espaços entre as letras em suas palavras aumentam, criando a impressão de que ela está criando a história conforme escreve, levando as palavras ao fim da página o mais rápido que consegue.
A árvore é derrubada, mas conforme a multidão comemora e volta para o palácio, uma “alta gargalhada” é ouvida, dessa vez de dentro do tronco. Babbitty, inteligente como é, grita que bruxos e bruxas não podem ser mortos “cortados pela metade”, e para provar isso, ela sugere que cortem o instrutor do rei “em dois”. Nisso, o charlatão implora por piedade e confessa. Ele é arrastado para a masmorra, mas Babbitty não terminou com o tolo rei. Sua voz, ainda saindo do tronco, proclama que as ações do Rei invocaram uma maldição no reino, e cada vez que ele causar danos a um bruxo ou bruxa ele também sentirá uma dor tão cruel que desejará “morrer por isso”. O Rei, agora desesperado, cai de joelhos e jura proteger todas as bruxas e bruxos de suas terras, permitindo-os fazer mágica sem danos. Feliz, mas não completamente satisfeito, o toco cacareja novamente e ordena que uma estátua de Babbitty seja colocada sob ele para lembrar o rei de sua “própria tolice”. O “envergonhado Rei” promete que um escultor criará uma estátua de ouro, e volta para o palácio com sua corte. No fim, uma “gorda e velha coelha” com uma varinha presa aos dentes sai do buraco abaixo do tronco (aha! A fonte daqueles pequenos e brancos olhos) e deixa o reino. A estátua de ouro permaneceu no toco para sempre, e bruxos e bruxas nunca mais foram caçados no reino novamente.
“Babbity, a Coelha, e o Toco que Cacarejava” enfatiza a disfarçada ingenuidade da velha bruxa – que deveria lembrar os fãs de certo sábio e habilidoso bruxo – e você pode imaginar como a velha Babbitty pode se tornar uma heroína para jovens bruxos e bruxas. Mas mais do que uma história sobre o triunfo de uma sábia bruxa, o conto alerta contra as fraquezas humanas de ambição, arrogância, egoísmo e duplicidade, e mostra como esses errantes (mas não maus) personagens aprendem com seus erros por seus próprios meios. O fato de que o conto vem logo depois do louco mago enfatiza a importância que Rowling sempre colocou em alerta-próprios: Babbitty revela ao Rei sua arrogância e ambição, assim como o Caldeirão Saltitante expõe o egoísmo do bruxo e o Poço desvenda as forças escondidas das três bruxas e do cavaleiro. Dos primeiros quatro contos, apenas o mago de coração peludo sofre um verdadeiro destino horrível, pois seu imperdoável uso de Arte das Trevas e sua recusa em descobrir seu verdadeiro eu tiram dele a possibilidade de redenção.
¹É interessante como sempre podemos notar um paralelo do mágico com o real nas criações de J.K. Rowling. Assim como a queda de Grindelwald em 1945 representou o término de uma Era [terrível] Nazista, temos em Babbity, a Coelha, e o Toco que Cacarejava, uma perfeita demonstração do período Inquisitorial onde Reis também julgaram e queimaram “bruxas” injustamente, manchando mais uma página de nossa história.
5. “O Conto dos Três Irmãos”
Se, como nós, você correu pela sua primeira leitura de “O Conto dos Três Irmãos” no seu caminho ao final de todos os finais, então você perdeu um grande conto (aquele que pensamos poder estar entre o melhor de Esopo). Sorte sua, você pode abrir a sua cópia de Harry Potter e as Relíquias da Morte no Capítulo Vinte e um e o ler a qualquer hora. Se você ainda não leu o livro final da série de Rowling (e que festa você tem a sua frente), você talvez não queira ler esse resumo… ainda. Se dê uma chance de ler primeiro o contexto do conto. Você não vai se desapontar.
Um grupo de três caveiras dentuças fita o leitor no topo do último dos cinco contos (oh como desejamos que houvesse dúzias mais). A caveira ao meio tem esculpido um símbolo na sua testa - uma linha vertical em um círculo, cercado por um triângulo. Os fãs vão lembrar-se deste símbolo do desenho de Mary GrandPre na primeira página do capítulo. Embaixo do texto está uma pilha de tecido, sobre a qual está uma varinha (soltando uma corrente de faíscas), e o que parece uma pequena pedra.
Esse sombrio conto sobre três irmãos, três escolhas, e três diferentes destinos pede para ser lido em voz alta—na verdade, a primeira vez que encontramos os três irmãos é quando Hermione lê o conto para Harry e Rony (e Xenofílio). Três irmãos viajando por uma estrada deserta “ao crepúsculo” (meia-noite, segundo a versão da história da senhora Weasley) chegam a um rio “traiçoeiro” que eles não podem cruzar. Bem versados em magia, eles criam uma ponte com um movimento de suas varinhas. A meio caminho eles são parados por uma “figura encapuzada”. A Morte está brava e diz aos irmãos (em um momento engraçado de Relíquias da Morte, Harry interrompe a história aqui “Desculpe, mas a Morte falou com eles?”) que eles a enganaram de “novas vítimas” já que as pessoas normalmente se afogam quando tentam cruzar o rio. Mas, a Morte é astuta e oferece uma recompensa a cada um deles por ser bastante inteligente para “escapar dela” (para aqueles interessados nos mínimos detalhes, a nossa cópia. Nosso conto de fadas favorito tem essa coisa de “escolha seu destino”—você pode aprender muito de um personagem por uma escolha, e as melhores histórias, como essa, muda completamente de rumo e termina de um modo que você nunca esperaria.
O irmão mais velho, um “homem combativo” pede a varinha mais poderosa já criada–uma varinha que ganhará cada duelo do seu proprietário, um mérito a um bruxo que “conquistou a Morte”. Então a Morte cria a varinha (fatídica) da “árvore de Sabugueiro” (capitalizado na nossa cópia) e dá-a ao vaidoso, briguento irmão. O segundo irmão, um “homem arrogante” que é determinado a evitar a Morte futuramente, pede o poder para trazer os outros da Morte. Pegando uma pedra do chão, a Morte diz ao irmão que ela tem o poder de trazer de volta da morte. O irmão mais novo, o mais humilde e sábio dos três, não “confiou na Morte” então ele pede algo que permitisse que ele partisse sem ser “seguido pela Morte.” Sabendo que ela talvez tenha sido superada em esperteza, a Morte, entrega a “sua própria” capa de invisibilidade de má vontade. A escolha de cada irmão revela muito sobre suas motivações: o irmão mais velho quer a Varinha das Varinhas para se fazer poderoso acima de todos; o segundo irmão quer ter poder acima da Morte; e o irmão mais novo quer deixar a Morte seguramente atrás dele.
Eventualmente os irmãos pegam seus presentes e seguem caminhos separados, tendo destinos muito diferentes. O primeiro viaja a uma “certa vila” (“distante” no Livro 7) e vai ao encalço de um bruxo com quem ele já havia lutado para desafiá-lo a um duelo que ele “não iria perder”. Após matar seu inimigo, ele se retira para uma estalagem onde se exibe com a Varinha das Varinhas, como ele ganhou-a da “própria Morte”, e como ela o faz todo-poderoso. Aquela noite, um bruxo anda sorrateiramente até o irmão mais velho e rouba a varinha, cortando a garganta do irmão “por uma boa medida”. A caçada refreia, onde Rowling descreve a Morte tomando o irmão para “si própria”, ajuda tanto a ancorar a história como um conto de alerta que ensina uma lição sobre a inevitabilidade da morte. Uma das mensagens mais importantes desse conto, e desse irmão em particular, é a noção de usar o poder para o bem (aviso que Rowling segue a risca).
O segundo irmão chega a sua casa vazia, onde ele vira a pedra “três vezes sobre sua mão” (o texto no Livro 7 omite “sobre”), usando-a para “chamar os Mortos” (capitalizado na nossa cópia). Ele fica emocionado ao testemunhar o regresso da moça com a que ele uma vez quis casar, contudo ela é “silenciosa e fria” (“triste” no Livro 7) e sofre porque ela não pertence mais ao “mundo dos mortais”. Desesperado e cheio de “desejo sem esperança” o segundo irmão se mata para que ele possa juntar-se a ela, permitindo que a Morte reconquiste a sua segunda vítima.
O irmão mais novo usa a “Capa de Invisibilidade” (até aqueles que não leram o Livro 7 sabem que isso pode ser mais do que um conto de fadas afinal) para se esconder da Morte, até uma “idade muito avançada” ele a tira e a da para seu filho. Então, ele cumprimenta a Morte “alegremente” e “como um velho amigo” parte “desta vida”. Um satisfatório final para esse conto—ele ainda é um soco depois da segunda leitura. Simples, poderoso, e pungente, “O Conto dos Três Irmãos” introduz teorias sobre o uso e abuso do poder (também forte na série) e compartilha importantes mensagens sobre vida e morte. Há muitos modos dos quais este conto informa e realça sobre Harry Potter e as Relíquias da Morte (os curiosos devem reler o capítulo trinta e cinco, “King’s Cross” e discutir), mas o nosso favorito é destacado pela mensagem que o próprio Dumbledore comunica a Harry sobre a aceitação da Morte e abraçar a vida: “Não tenha pena dos mortos, Harry. Tenha pena dos vivos, e acima de tudo, aqueles que vivem sem amor.” O irmão mais novo não tentou enganar a Morte ou fazer dano a outros com seu poder; ao invés disso, ele usou seu presente para viver simplesmente e sem medo da Morte, então no fim de uma longa e feliz vida, ele foi capaz de ir de modo disposto deste mundo.
É um testamento verdadeiro ao talento de Rowling que os seus contos de fadas transportem uma mensagem tão forte, mas nunca apareçam como sermões ou publicamente didáticos (isso vai em dobro para seus livros, e é parte por isso que eles são tão especiais). Os Contos de Beedle, o Bardo comunicam várias das mesmas lições que a série Harry Potter, e as histórias reverberam com o aviso de Dumbledore sobre a escolha do que “é certo e o que é fácil”. Se ela está avisando contra arrogância e ganância, revelando a responsabilidade que vem com o poder imenso, ou exaltando a importância de amor e fé em cada um, a imaginação ilimitada de Rowling e a habilidade na narração de histórias mantém os seus fãs leais (jovens e velhos) voltando para mais, ainda mais ansiosos para a lição seguinte.
Prequência
Essa é uma Prequência escrita pela JK Rowlling que conta um pouquinho a história dos marotos, na verdade, é mais uma aventura de dois deles, Tiago Potter e Sirius Black (Pai do Harry e Padrinho do Harry, respectivamente) Divirtão - ser com essa história super legal, que eu amei e to colocando aqui pra que todos possam le-la também!!!
HARRY POTTER
A história dos Marotos
Waterstone’s JK Rowling
11 de junho de 2008
Tradução: Eduardo Andrade
Revisão: Patricia Abreu
Créditos: Potterish
A motocicleta de corrida fez a curva acentuada tão rápido na escuridão que os dois policiais no carro de perseguição gritaram “Uou!”. O Sargento Fisher forçou seu enorme pé no freio, pensando que o garoto que estava na carona com certeza seria esmagado embaixo de suas rodas; porém, a motocicleta fez a curva sem derrubar nenhum de seus ocupantes, e com uma piscada da sua luz traseira vermelha, desapareceu na apertada rua lateral.
― Agora nós os pegamos! - exclamou animado o policial Anderson. - É um beco sem saída!
Segurando forte na direção e estraçalhando seu câmbio, Fisher destruiu metade da pintura da lataria ao forçar o carro pelo beco na perseguição.
Lá sob a luz dos faróis estava sentada a presa, finalmente parada após um quarto de hora de caçada. Os dois passageiros estavam emboscados entre uma alta parede de tijolos e o carro da polícia, que agora estava se aproximando deles como um predador rosnando, de olhos luminosos.
Havia tão pouco espaço entre as portas do carro e as paredes do beco que Fisher e Anderson tiveram dificuldade em se soltar do veículo. Feria a dignidade ter que se arrastar, que nem um siri, até os malfeitores. Fisher arrastava sua generosa barriga pela parede, arrancando botões de sua camisa enquanto ia, e finalmente arrancando o espelho retrovisor com sua parte traseira.
― Saiam da moto! - ele gritou para os jovens com sorrisos de desdém, que estavam confortáveis na brilhante luz azul como se estivessem aproveitando.
Eles fizeram o que lhes foi mandado. Finalmente se livrando do espelho retrovisor quebrado, Fisher os encarou. Eles pareciam estar no fim da adolescência. O que esteve dirigindo tinha um longo cabelo preto; sua boa aparência insolente lembrava desagradavelmente a Fisher do namorado vagabundo e guitarrista de sua filha. O segundo garoto também tinha cabelo preto, mas o dele era curto e espetado em todas as direções; ele usava óculos e tinha um sorriso forçado. Ambos estavam vestindo camisetas com a estampa de um grande pássaro dourado; o emblema, sem dúvida, de alguma banda de rock desafinada e ensurdecedora.
― Sem capacetes! - gritou Fisher, apontando de uma cabeça descoberta para a outra. - Ultrapassando o limite de velocidade por… por uma quantia considerável! (De fato, a velocidade registrada tinha sido maior do que Fisher poderia considerar qualquer motocicleta capaz de viajar.) - Não parando para a polícia!
― Nós teríamos adorado parar para bater papo, - disse o garoto de óculos. - mas é que estávamos tentando…
― Não se faça de esperto, vocês dois estão em uma baita encrenca! - rosnou Anderson. - Nomes!
― Nomes? - repetiu o motorista de cabelos compridos. - Er… bem, vamos ver. Existe Wilberforce… Bathsheba… Elvendork…
― E o legal desse aí é que você pode usá-lo para um garoto ou uma garota - disse o garoto de óculos.
― Ah, os NOSSOS nomes, você quis dizer? - perguntou o primeiro, quando Anderson balbuciou com raiva. - Você deveria ter dito! Esse aqui é Tiago Potter, e eu sou Sirius Black!
― As coisas estarão seriamente pretas para você em um minuto, seu insolentezinho…
Mas nem Tiago nem Sirius prestavam atenção. Eles estavam de repente tão alertas quanto cães de caça, encarando algo atrás de Fisher e Anderson, acima do teto do carro policial, na entrada escura do beco. Então, com movimentos fluidos idênticos, eles colocaram as mãos em seus bolsos traseiros
No espaço de uma batida do coração, os dois policiais imaginaram armas brilhando na direção deles, mas um segundo depois eles viram que os motociclistas tinham retirado nada mais do que…
― Baquetas? - ironizou Anderson. - Um par de piadistas vocês, não são? Certo, estamos prendendo vocês sob a acusação de…
Mas Anderson nunca chegou a nomear a acusação. Tiago e Sirius tinham gritado algo incompreensível, e os raios de luz dos faróis se moveram.
Os policiais giraram e depois caíram de costas. Três homens estavam voando - realmente VOANDO - pelo beco em vassouras – e, no mesmo momento, o carro de polícia estava se apoiando em suas rodas traseiras.
Os joelhos de Fisher falharam; ele sentou com força. Anderson tropeçou nas pernas de Fisher e caiu sobre ele, enquanto ‘flãmp’ - ‘bang’ - ‘cranche’ - eles ouviram os homens nas vassouras baterem no carro levantado e despencarem, aparentemente inconscientes, no chão, enquanto pedaços quebrados de vassouras caíam ao redor deles.
A moto tinha ganhado vida de novo. Com sua boca entreaberta, Fisher reuniu forças para olhar novamente para os dois adolescentes.
― Muito obrigado! - disse Sirius acima do ronco do motor. - Nós devemos uma para vocês!
― É, foi legal conhecê-los! - disse Tiago. - E não esqueçam: Elvendork! É unissex!
Houve um barulho de tremer a terra, e Fisher e Anderson jogaram seus braços ao redor um do outro com medo; o carro deles tinha acabado de cair de volta ao chão. Agora era a vez da motocicleta empinar. Em frente aos olhos descrentes dos policiais, ela andou em pleno ar: Tiago e Sirius decolaram para o céu noturno, com o facho da luz traseira brilhando atrás deles como um rubi desaparecendo.
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